
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Viva!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Por falar em carnaval...
Alô, Cacique, cadê o Bafo? *
Um das imagens mais marcantes do carnaval carioca desde a década de 1960 é, sem dúvidas, o desfile do Cacique de Ramos. Milhares de foliões fantasiados de apaches ocupam a Avenida Rio Branco e mostram como o Velho Oeste foi devorado antropofagicamente pelo ziriguidum tupiniquim. O Cacique é, ouso dizer, um marco civilizatório da maior relevância para a história da cidade do Rio de Janeiro e, consequentemente, do Brasil. A agremiação de Ramos foi, com suas rodas de samba à sombra da tamarineira sagrada, uma espécie de Tróia do samba diante da explosão midiática do rock nacional nos famigerados anos de 1980 – e só isso bastaria para dar ao bloco um lugar de importância maior no panorama cultural brasileiro.
A louvação ao Cacique de Ramos leva, porém, a uma indagação: que diabos aconteceu com o Bafo da Onça, bloco que dividia com o Cacique a paixão dos foliões cariocas e hoje, enquanto o carnaval de rua volta ao centro da cena, anda caindo pelas tabelas, como pálida lembrança do que foi? Bafo e Cacique cansaram de transformar a Avenida Rio Branco, nos dias de Momo, em um verdadeiro Maracanã em domingo de Fla X Flu. Contar a história dos apaches sem falar das onças-pintadas é rigorosamente impossível.
O Bafo da Onça é mais antigo que o Cacique. O bloco foi fundado dentro de um botequim do bairro carioca do Catumbi, em meados dos anos cinquenta. Seu principal fundador foi um carpinteiro e policial chamado Sebastião Maria; um sujeito que, durante os dias de carnaval, formava uma espécie de bloco do eu sozinho e costumava sair pelas ruas do bairro fantasiado de onça-pintada.
Seu Tião Carpinteiro tinha ainda o hábito de começar a tomar uns gorós no dia de Santos Reis - data que marcava, para ele, o início das festas de Momo - e só encerrar os trabalhos na quarta feira de cinzas. Ocorre que o Seu Tião bebia tanto, mas bebia tanto, que acabava ficando com um hálito meio pesado. Parecia, de fato, que comia carniça. Durante uma das carraspanas contumazes, um grupo de amigos do Catumbi, sob a liderança do carpinteiro, resolveu criar um bloco de carnaval. Todos sairiam fantasiados de onças-pintadas. O nome do bloco, é evidente, já nasceu pronto.
O Bafo cresceu e virou atração do carnaval da cidade. As mulatas do Sargentelli, João Roberto Kelly, Oswaldo Nunes e Dominguinhos do Estácio eram figuras populares nos furdunços que a turma do Catumbi promovia. A popularidade foi tamanha que o próprio Bira Presidente, fundador e eterno dirigente do Cacique, admite que o bloco dos apaches de Ramos foi criado com o objetivo de superar as onças pintadas do Catumbi.
É inevitável, portanto, que os cinquenta anos do Cacique de Ramos venham acompanhados pelo júbilo e, também, pelo lamento em virtude do declínio do Bafo da Onça. Quero crer que, dentre várias razões que explicam esse declínio (são mesmo inúmeras), uma merece ser ressaltada, até mesmo como um alerta.
A decadência do Bafo é análoga ao triste fim do bairro do Catumbi, centro de origem do bloco. Poucos bairros cariocas sofreram tanto com as reformas urbanas que, vez por outra, marcam a cidade. Ao longo das décadas de 1960 e 1970, o Catumbi foi sendo devastado. A abertura do túnel Santa Bárbara e, especialmente, a construção do viaduto Trinta e Um de Março, dividiram o bairro em dois pedaços, ocasionaram a demolição de imóveis centenários e a destruição de quadras inteiras. Em nome da reestruturação urbana do Rio, o Catumbi se transformou em um bairro de passagem, perdeu a maior parte de seus moradores e deixou de ser um centro de referência para a comunidade, com suas vivências, saberes, hábitos cotidianos e visões de mundo. O Bafo da Onça, de certa forma, era fruto desse espaço de convívio dizimado pelo poder público.
Que em tempos de remodelação urbana, choques de ordem, copas, olimpíadas e que tais, os responsáveis pelas intervenções urbanas tenham consciência de que os lugares são, mais do que qualquer outra coisa, espaços de construção de memórias, culturas, formas peculiares de se experimentar a vida e abordar o mundo. E que as tamarineiras cariocas – as que restam - continuem de pé.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Portela
Obra: Carnaval em Madureira (1924), de Tarsila do Amaral.domingo, 6 de fevereiro de 2011
Declaração de amor

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Sorriso aberto
É
Foi ruim a beça
Mas pensei depressa
Numa solução para a depressão
Fui ao violão
Fiz alguns acordes
Mas pela desordem do meu coração
Não foi mole não
Quase que sofri desilusão
Tristeza foi assim se aproveitando
Pra tentar se aproximar
Ai de mim
Se não fosse o pandeiro, o ganzá e o tamborim
Pra ajudar a marcar (o tamborim)
Logo eu com meu sorriso aberto
O paraíso perto, pra vida melhorar
Malandro desse tipo
Que balança mais não cai
De qualquer jeito vai
Ficar bem mais legal
Pra nivelar
A vida em alto astral
Seja feliz em 2011, caro leitor!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Vamos Fazer Um Filme - Legião Urbana
Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um bom exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo,
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
Sem essa de que: "Estou sozinho."
Somos muito mais que isso
Somos pingüim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão:
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve de ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia.
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, vamos Fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo